Iguaba, 5 de janeiro de 2010 - manhã
Iguaba tem uma personalidade e um carisma que pessoas não têm.
No dia 30, Gabriel estava lá em casa, mas ia pra casa do pai de noite, pra ficar até o dia seguinte. Eu teria uma ótima noite assistindo aos episódios que baixei deThe Good Wife. Gabriel tomava banho para sair, quando ouvimos um barulho de repente. Tudo apagou. Desci e minha mãe nos disse que tinha acabado de descobrir que era só na nossa casa que a luz tinha faltado. Só a casa e o corredor. Tinha luz na casa do meio e até na garagem. Gabriel foi pra casa do pai e meu tio foi lá pra casa com Gustavo e Maria Clara. Ligamos pra Light, que disse que viria em até cinco horas. Meu tio, minha mãe e Gustavo ficaram conversando na varanda da casa do meio e eu vendo a retrospectiva da Globo com a Maria Clara na sala. Só fomos dormir 1h da manhã e nada da Light. A cama da casa do meio é dura tipo uma calçada. Não dá pra ser feliz. Mas pelo menos tinha ventilador e eu tinha pego meu travesseiro lá em casa.
Acordei às 6:30h, minha mãe uma hora depois. Chovia bastante ainda, mas o eletricista apareceu às 9h mesmo assim. Encontrou meu avô pelo caminho e entrou com ele. Olhou prum fio e disse que aquilo era problema da Light. E foi embora. Nem chegou a falar comigo e com a minha mãe. Meu avô foi até a quadra da escola e liberou as coisas do freezer da cantina. Pusemos todas as gavetas do nosso congelador na mal do carro e levamos lá pra escola, onde achamos umas pizzas, que levamos pra casa. As coisas de geladeira, pusemos na casa do meio. E fizemos as pizzas no forninho de lá também. Gabriel já estava lá a essa altura. Enquanto isso, minha mãe pintava o cabelo e nós esperávamos outra vez a Light.
A Light chegou, mas chovia demais pra que o cara pudesse mexer em qualquer coisa. E ainda tinha a torta. Íamos pra casa do Gabriel às 13h e precisávamos pegar a torta que íamos levar pra lá. Eu e Gabriel fomos ao Carioca Shopping, onde compramos a torta errada, que ainda era 6 reais mais cara. De lá, voltamos pra minha casa e o cara da Light já tinha até ido embora. Disse que não era problema deles, que precisávamos de um eletricista. Nada mais podíamos fazer no dia 31, senão ir pra casa do Gabriel logo. O Ano Novo foi bonito, as comidas estavam gostosas e a torta errada foi aprovada.
Passamos o dia primeiro lá no Recreio mesmo e fomos lá pra casa só no início da noite. Vimos The Mentalist no laptop com projetor e comemos pizza na casa do meio. Minha mãe dormiu em casa, eu e Gabriel na cama-calçada da casa do meio. No dia 2, acordamos meio-dia. O aniversário da Luciane começava às 13h em Copacabana. Comemos e fomos. A tarde foi lá com pessoas da faculdade, depois fomos com Bianca e Renato pro Escada Shopping. Comemos no Koni e estava muito bom. Em casa, o eletricista tinha começado toda uma instalação nova, mas só terminou a parte de baixo da casa e ficou de voltar dia 8 pra fazer o resto. As coisas de geladeira voltaram, vimos The Mentalist no DVD da sala e dormimos nos mesmos lugares da noite anterior.
Dia 3, acordei, arrumei tudo e viemos pra Iguaba. Eu, Gabriel, minha mãe e Maria Clara. Não fizemos muito no primeiro dia. Vimos Lie to me, The Mentalist e How I met you mother, que eu me lembre. Nada muito produtivo.
Dia 4, quis muito sair, mas minha mãe saiu com a Maria sem levar a chave. Gabriel ficou receoso de largar o apartamento aberto com laptops, projetor, GPS e outras coisas caras e importantes dentro. Esperamos por duas horas e nada delas. Liguei pro celular. Nada. A chamada retornou na hora em que o Gabriel resolveu que queria dormir, não sair. De modo que passei o dia inteiro dentro do apartamento, angustiada.
Acordamos às 20h, tomamos banho e fomos pra rua. Só dar uma volta. Eu queria encontrar alguém, mas não queria falar disso, nem esperava muito disso. Sempre saio pelas ruas aqui procurando amigos de longa data e só encontro lembranças fora de lugar. Mas aí de repente estava o Fraga, andando na rua principal, direção oposta à nossa. Disse que era destino me encontrar no último dia. Último dia. Fraga disse que estava voltando pra BH, que faria isso às 4h da manhã. Iguaba não é a mesma coisa sem ele, mas ainda é a cidade das minhas lembranças, dos meus momentos felizes. Sentamos com ele e conversamos por um bom tempo. Outras pessoas do passado surgiram , mas não é a mesma coisa. E mesmo se fosse, o que importava é que o Fraga está deixado Iguaba e dessa vez é de verdade. Não pretende voltar. Arrumou emprego. Dessa vez tem até motivo plausível. Mas não foi triste. Nem a despedida, nem a conversa, nem ele. Eu não fiquei triste também. Fiquei foi feliz por ele. Mas não quero nem pensar ainda no que vai ser minha vida sem poder vir pra cá pra vê-lo. Se eu pensar, vou sentir as coisas erradas em relação a isso.
Falamos das outras pessoas também. Lembramos dos desaparecidos. Ele perguntou pelo Fantasma da Uruguaiana, mas dessa vez não esperou que eu soubesse a resposta. E, como eu não tinha desculpa pra dar pro fato de que eu tenho resposta, menti que também não sabia e dei a mesma resposta de sempre:
- Deve ter morrido.
Me perguntou então pelo Leandro, sobre quem eu costumava ter resposta sempre. Não tive, o que foi novidade pra ele. Do mais, um foi solto, outro continua desaparecido, outro reapareceu e Lincoln casou.
Iguaba, 5 de janeiro de 2010 – noite
Fui à rua com o Gabriel tomar sorvete. O meu foi aquela coisa de gordo de sempre: duas bolas de chocolate com calda de chocolate, calda quente de chocolate, chocolate granulado, pedacinhos de chocolate, pedacinhos de biscoito de chocolate e, dessa vez, marshmallow. Muito bom. Depois fomos ao centro comprar raquete pra matar mosquitos do mal. Compramos também um cordão pra Luciane, como presente atrasado de aniversário. Encontramos o Lincoln, que comentou que o Fraga “vai passar um tempo em Minas”. Não parecia acreditar muito na permanência da coisa. Talvez eu também não acredite e por isso não esteja triste a respeito. É algo a ser considerado.
Maria Clara cismou de ver um dos DVDs que trouxe: Barbie, Hannah Montana, entre outras outras coisas insuportáveis que meninas de nove anos acham o máximo. Gabriel gosta de criança, ta na sala com ela e com a minha mãe. Eu resolvi aproveitar esse tempo pra matar mosquitos do mal no quarto, jogar paciência spider e ler The Color Purple. Ah, isso. Tenho lido esse livro e tenho ficado intrigada a cada anotação ou sublinhado da Marina (o livro é dela). Como eu sei que não vou me dedicar muito ao longo do semestre a uma matéria dada por aquela professora que eu não suporto, resolvi de fato fazer o recomendado e ler os livros ANTES do início do semestre. Até estou gostando de The Color Purple, sabe? Eu meio que não esperava isso. Só tenho lido muito devagar. Estou lendo o troço desde o dia 31 e ainda estou lá pela página 35. Achei que fosse ser mais rápido.
Fiquei com vontade de voltar a ler (e dessa vez pra acabar) As Seis Mulheres de Henrique VIII, mas não consigo ler mais de um livro ao mesmo tempo, isso está comprovado. E ainda tenho que ler The Great Gatsby (que não me desperta o menor interesse) antes de o semestre da professora horrenda começar.
Por ora, volto pro paciência spider.
Rio, 7 de janeiro de 2009 – noite
Chego no Rio, o telefone toca. Minha tia morreu.
Maria Clara teve que continuar conosco e parece que vai ficar amanhã também. É a tia Denise quem está cuidando de tudo, quem arranjou o funeral. O enterro vai ser amanhã. Nunca fui a um enterro e não quero ir a esse. Gabriel acha que eu deveria ir, mas não vejo de que modo isso pode fazer diferença ou mostrar que me importo.
Meus avós ainda não sabem. Ninguém sabe como contar. Da última vez que alguém morreu, os dois quase morreram também ao ouvir a notícia (e minha mãe ainda deu um Lexotan pra minha avó antes de contar). Só acho que vai ser bem estranho deixar pra contar pra eles amanhã, poucas horas antes do enterro.
Pelo menos vou ter companhia amanhã. Gabriel vai ficar até a manhã de sábado. Depois, acho que só nos vemos no fim de janeiro. Com a cirurgia da mãe dele, meu trabalho, meus médicos e o show do Jonas Sá, vai ser bem difícil nos vermos logo.
Falando em Sá, não vai rolar o show da Roberta porque não tenho Marina pra ir comigo. Uma pena. Tava querendo mesmo ir a esse show. Ainda mais não tendo luz. Ah é, o eletricista agora só vem domingo. Seria ótimo passar o dia na casa da Marina, mas também acho feio me mandar pra Copacabana e deixar minha mãe aqui sozinha.
Marije, a professora de inglês, mandou e-mail. Fiquei com 8,78 de média. Espero que ela tenha arredondado pra 8,8. É uma nota legal pra matéria que é, mas isso só me lembra que esse número se transformará numa nota medíocre quando somado à nota idiota que o outro professor me deu. Bem, eu vou superar.
Verei The Mentalist com o Gabriel agora.
Rio, 9 de janeiro – manhã
Tive um sonho hoje que acabou comigo. Foi tão real. Eu não sabia se queria que durasse pra sempre ou se eu precisava acordar o mais rápido possível. De vez em quando, tenho esses sonhos. Não, não é com frequência. Mas sei que já aconteceu antes. Parecia verdade. Devastador. Acordei quase que num pulo. Eu já tinha acordado às 8h pra abrir o portão pro Gabriel ir embora. Dormi de novo e, sei lá, talvez eu não devesse ter dormido. Me confundiu.
Hoje vou pra casa da Marina, passar o dia lá. Minha mãe vai comigo, mas vai pra casa da prima dela, que ela encontrou no enterro da tia Nair. É tudo em Copacabana mesmo. Aliás, não fui ao enterro. Meu pai foi. Passei o dia ontem vendo The Mentalist (e agora acabou) e How I met your mother (que está só começando). Comemos pizza e dormimos mais cedo que o normal. Tomei banho lá em casa e não aqui na casa do meio. Surgiram umas minhocas mortas no boxe e, como eu não enxergo o chão quando tomo banho (sem óculos), achei melhor não ficar aqui. Sei lá, até onde eu sei, eu mesma posso ter matado as minhocas durante o banho. Credo.
Vou jogar Bookworm enquanto minha mãe não fica pronta. Amanhã vem o eletricista, espero que minha vida volte ao normal. Enquanto isso, verei The Good Wife no laptop.
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Agora:
Dia com a Marina. Conheci a Aubrey, gringa hóspede dela. Tentamos comer no Subway, mas o forno não estava esquentando (wtf?), então acabamos indo pra Bibi. Ótimo sanduíche de filé mignon com provolone. Depois, encontrei minha mãe e a prima. Fomos até o apartamento incrível sensacional dela, conhecemos os poodles Honey e Petite e depois viemos embora. Tomei banho aqui com as minhocas da casa do meio e SOFRI pra matar uma barata sem o Gabriel.
Eu até ia ver The Good Wife ou How I met your mother hoje, mas acho que só terei forças de jogar um pouquinho de Bookworm.