Why do I keep beating myself with a hammer? Because it feels so good when I stop.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010



I think I'm paranoid and complicated

Acho que eu to com uma séria mania de perseguição, viu. Isso somado a não saber mais lidar com as coisas vai fazer a felicidade (e a fortuna) da minha nova psicóloga. Só esperando a ligação com o horário.

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010



Só pra ficar registrado

(um post que só tem sentido pra mim)

Se eu tivesse feito as notas de rodapé na época, hoje seria muito mais legal contar as histórias que não estou contando. Muito interessante como a vida funciona. E as pessoas que ficam. Ou voltam.



Disciplina

Tenho tido dificuldade imensa em lidar com as coisas. Tenho sido mais EMO que o Leandro, haha. Não. Sério. Dificuldade imensa em lidar com as coisas. Todas as coisas do mundo. Não sei lidar com o calor, com o engarrafamento, com o ônibus atrasado, com minhas unhas grandes demais e a preguiça de cortá-las, com minha falta de perspectiva na vida acadêmica/profissional, com a minha tão falada escrita, com meu almoço, com meus quilos extras, com o problema na garganta, com os problemas dos punhos que agora são dois, com a minha felicidade, com a minha falta de disciplina, com meu passado.

Muita vontade de dissertar sobre aquela época. Ou só de fazer pequenas notas de rodapé sobre detalhes que nunca contei pra ninguém por serem irrelevantes. Porque a história mudou, então o que interessa agora não interessava antes. Aí dá vontade de fazer crônica de qualquer coisa que não seja pé na bunda.

Estou escrevendo algo que é um projeto há alguns meses, desde que assisti a um episódio de Medical Detectives. Escrevi um conto que só faltou parágrafo final e que eu ia postar no outro blog, mas depois fiquei achando que esse tipo de história não funciona bem como conto. Achei que precisava escrever um romance. Mandei pro Fábio, que deu uma série de idéias. Acabou que as idéias dele me deram outras idéias e eu fiquei enrolando pra pôr a coisa em prática. Como sempre. Um mês já. Aí a Marina me mandou link prum concurso literário. E o prêmio é TÃO bom. Aí senti necessidade de voltar pra esse livro. De começar, agora que sei o que quero fazer. E comecei. Comecei tem duas horas e ainda estou na primeira página. Tudo me distrai. E não sei escrever no computador. Preciso da cabeça enfiada no caderno. Mas depois é tanta coisa pra digitar, que me parece trabalho duplo desnecessário. Mas é fato que a coisa flui menos.

E tem o concurso e o prazo. A meta é conseguir terminar o livro um mês antes. Pra dar tempo de revisar, registrar, enviar. Será que eu consigo? Tem tantas outras coisas que não saem da minha cabeça...

Sexta-feira, Janeiro 22, 2010



E chega de falsas promessas

Ontem foi um dia grande em que tudo deu certo, tudo deu errado, mas deu certo, errado, errado, certo, errado, errado, errado, certo, certo, certo, não consigo decidir errado certo certo errado.

O ônibus que pego pra pegar o 100 pra Niterói pra ir trabalhar passa sempre às 10h, no máximo 10:10h. Ontem, ele chegou às 10:44h e eu felizona em pé no ponto com mochila pesada nas costas. Já estava desesperada, achando que ia ser demitida se não conseguisse ir trabalhar DE NOVO por causa de problemas com ônibus, trânsito etc. Mas aí até que foi rápido, então desci no ponto da rodoviária, atravessei a passarela e TUDO TÃO PARADO, que o 100 tava lá do momento que eu desci do 345 de um lado até o momento em que eu entrei nele do outro. Liguei pro curso, pedi pra avisar aos alunos que eu ia me atrasar. Mas aí descobri que tenho o poder de dobrar o tempo e, MAGICAMENTE, cheguei na sala meio-dia em ponto. Eles não entenderam nada. "Mas você não ia chegar atrasada?". Pois é, é que isso sou eu atrasada. Sempre chego mais cedo.

Os alunos fizeram a prova. Saí um pouquinho mais tarde, mas tudo bem. Na ponte, o que eu lembrava do ônibus que passa na Cinelândia era a cor, o número inicial, que vinha escrito CASTELO e que era 4 reais. Vi um ônibus com as características que eu lembrava, entrei. Perguntei pro trocador se passava na Cinelândia, ele confirmou que sim. Dei 4 reais, ele disse que era 4,40. Achei esquisito, mas blz. Só que aí o ônibus começou a fazer um caminho muito doido e eu me convenci de que aquele era o ônibus errado. Quando já estava no Castelo, prestes a estacionar no ponto final, fui até o motorista, derrotada:

- Esse ônibus não vai passar na Cinelândia, né?
- Não, aqui já é o ponto final.
- Ele disse que passava.
- Quem?
- O trocador disse que passava na Cinelândia.
- Olha, eu até já ouvi falar desse lugar, mas não sei te dizer onde fica, não.

Oquei.

- Então me deixa aqui mesmo que eu me acho.

Não fazia idéia de onde eu estava, mas perguntei prum segurança onde eu pegava um ônibus pra Copacabana e ele disse pra eu virar à esquerda e entrar numa passagem subterrânea. Ele se referia ao Mergulhão. Consegui pegar o 455 lá depois de quase mandar o motorista tomar no cu só por olhares. Casa da Marina, tudo bonito. Sanduíche do Subway, vida linda.

Aí a hora de sair. Chovia muito, então avisamos pra Renatá que íamos nos atrasar. Esperamos a chuva ir embora e saímos. Marina disse que era melhor pegarmos ônibus na praia, porque ficaríamos mais perto do estágio da Renatá. Sinal fechado pra pedestre, perdemos o ônibus e o motorista só nos fez um sinal de "poxa". E ventava muito na praia. Todo mundo de biquini passando pra lá e pra cá e nós arrumadas pra noite, segurando nossos vestidos por causa do vento. A areia doía contra a pele, ventando na gente. Mas tudo bem. Seria um dia lindo, com Canastra e Eugene Hütz. Aí, pra testar mesmo nossa vontade, começou a chover FORTE. Marina segurava o vestido dela e o meu, enquanto eu pegava meu guarda-chuva na bolsa. Minha bunda, contra o vento, toda molhada, um charme. O guarda-chuva ameaçava quebrar ou levantar vôo. Pessoas nos olhavam. E aí um fotógrafo do Globo começa a tirar foto nossa, de costas. Senhoras e senhores, minha bunda + a lateral da Marina no jornal O Globo. Aguardem. Marina começa:

- Ô, moço! Você não pode tirar foto da gente assim, vai que minha mãe não pode saber que eu to aqui!
- Não ta aparecendo o rosto, não tem problema, não.

E continuava disparando a cama contra nossas bundas.

- É porque é uma matéria sobre chuva e vocês são as únicas pessoas de guarda-chuva.

Então, blz, né, fica à vontade aí botando minha bunda no Globo. Pior meu medo de o vestido levantar e mostrar pra todo mundo minha calcinha Lorelai.

O vento estava tornando o guarda-chuva inútil contra a chuva, então fomos pra debaixo de um quiosque. Conversávamos enquanto o cara do quiosque ria de tudo que falávamos e só. Até vimos o ônibus. Corremos para ele, fizemos sinal, mas o motorista não nos viu. Corremos atrás dele, segurando nossos vestidos (a chuva já tinha parado), enquanto três caras riam e diziam que dariam carona pra gente. Um homem desceu do ônibus e Marina pediu pra ele segurar o ônibus. Ele, bastante eficaz, disse:

- Ei. Psiu.

Em volume normal. Infelizmente, o motorista não ouviu. NÉ?

Voltamos pra perto do quiosque, onde os três caras morriam de rir da gente, que ríamos muito também, afinal, era uma situação ridícula. Dois deles atravessaram a rua. O outro veio puxar assunto com a gente. Ê pessoa peculiar. Conversamos com Diego Eduardo por muito tempo, até nosso ônius finalmente passar de novo. No ônibus, tentei limpar a areia das minhas pernas, mas tava tenso. Meu sapato esquerdo parecia mais rosa que o direito, mas é porque só ele estava molhado (direção do vento e tal).

Estágio da Renatá, Vivian chega, ligo pro Matheus, Leandro liga, andamos pra Lapa, encontramos Maíra, vamos pra Cinelândia, sentamos no Verdinho e pedimos pizza. A vida continua. Matheus chega cheiroso, de banho tomado e sóbrio. Nos amamos. Chegam Aubrey, a intercambista a Marina, e Angelica, a amiga dela. Matheus vai embora. Renatá vai embora. Vamos todas + o Leandro pro Estrela da Lapa pra pagar barato pro Canastra. E pro Eugene.

Depois e três horas de pessoas dançantes dançando no meio do salão e muita expectativa pra ver o Eugene, vejo ele passando. Viro pra Aubrey, que tinha se epolgado pra ir por causa dele, e digo:

- He's here! Eugene's here!
- Where?

Aponto pra ela e, de repente, temos doze anos. Fiquei hihihi e ela começou a jogar o cabelo. Aí o Canastra, que já estava no palco, resolveu começar. E, sei lá, seis músicas depois, disseram que o Eugene não ia mais participar. QUÊ? Disseram que ele estava ali no bar, que quem quisesse, que reclamasse com ele. Eugene apenas levantava o copo, do bar. Pra piorar, o convidado especial substituto era o Nervoso. Marina virou as costas e foi sentar longe daquilo tudo. Expliquei pra Aubrey o que aconteceu e ficamos todas desapontadas (Maíra também tava super aí pro Eugene). Por um tempo, até achei que fosse brincadeira, porque, cara, ele tava lá. Nervoso chamou ele pro palco, em inglês. Eugene só levantava o copo (eu não vi, mas foi o que a Aubrey disse, então não sei com que cara ele fazia isso).

O show seguiu por muito pouco depois do Nervoso e Eugene parou pouco atrás de nós. Mostrei pra Aubrey. Não tínhamos cara pra falar com ele. Quer dizer, ela não tinha. Eu não sabia o que dizer pra ele e ainda tinha medo do fato de que eu não entendo um palavra do que ele fala, não importa em que língua. Aubrey sumiu e, quando voltou, só disse:

- He left.

Falei que ela devia ter falado com ele e ela disse que tentou, foi atrás dele e, quando viu, ele estava já na porta.

E aí o show acabou. Num clima de "chega de falsas promessas", fomos embora frustradas. Mas o que importa é que a Vivian gostou.

Sábado, Janeiro 16, 2010



Nothing good ever happens after 2am

So if it's past 2am, just go to sleep.


- I wanna do something stupid.
- I'm something stupid. Do me.

Quarta-feira, Janeiro 13, 2010



Writer's unblock (sic)

Eu cresci dizendo que não funciono sob pressão porque ficava muito irritada com meus pais me enchendo o saco pra estudar matemática, mas, de uns tempos pra cá, minha mãe começou a dizer que eu funciono sim sob pressão. A verdade é que eu enlouqueço, mas de fato, rendo.

Entrei num período de bloqueio criativo, acho que pouco antes de dezembro. A coisa toda foi potencializada depois que assisti de novo à primeira temporada de Californication, que tem o Hank e seu writer's block e que ainda por cima me dá muita vontade de escrever, mas nunca consegui nem rascunhar nada. Queria eu ter escrito a trama da primeira temporada dessa série. E personagens como o Hank e a Karen. Um casal assim. Sou muito fraca pra casais. Ou pelo menos fiquei. Na época em que eu escrevia aquilo que eu chamava de "seriado" em forma de diálogos, tinha um casal que eu gostava muuuuuuuuito, mas a criação deles foi super acidental.

Enfim, o que eu quero dizer é que, desde que terminei o livro, revisei o livro e MELIVREIDOLIVRO, não escrevi mais nada que eu gostasse de verdade. Algumas frases me vêm à cabeça, alguns temas surgem, mas nada desenvolvo. Comecei a escrever um conto sobre um assassinato que vi no Medical Detectives, mas contando do ponto de vista do assassino. Depois achei que tava muito resumido, que não era o tipo de história que cabia num conto, precisava ser algo extendido. Mandei pro Fábio, que veio cheio de idéias de pontos de vista. Me empolguei de novo e o plano é começar a trabalhar num LIVRO ainda esse mês. Partindo de uma idéia que eu tive por causa de uma idéia do Fábio. Mas nada concreto comecei. Nem abri o .doc com o conto que está quase pronto até agora.

Mas aí existe o Marcello no mundo. E Marcello manda e-mail, convida pra projeto, eu fico com medo graças ao meu writer's block, mas aceito graças à opinião da minha mãe sobre eu funcionar sob pressão (e quer mais pressão do que prazos, datas e pessoas dependendo de que você faça sua parte?). Falarei mais sobre o projeto quando houver algo concreto. Por ora, conto que eu podia escolher entre onze temas e fiquei em dúvida entre dois. Parei pra pensar e, quando vi, tinham escolhido JUSTAMENTE AQUELES DOIS. Mas ok. Marcello até tinha dito que podia repetir tema, mas desnecessário, né? Tanto tema legal, não tem por que ficar repetindo. Olhei de novo todos os temas e parei em três. Um deles me cortava o coração, mas não tenho mais forças pra escrever nada que corte o coração. Então, escolhi o que eu me achava mais capaz de desenvolver, mas ainda sem muita idéia de como trabalhar.

Por algum motivo, botei na minha cabeça que o prazo é dia 17. E passei um dia inteiro desesperada, pensando no que escrever e de como encaixar no formato do projeto. Aí ontem, comendo queijo quente, a idéia veio. Escrevi boa parte já, quase pronto, vou fechar no fim de semana. E o prazo é dia 24.

Realmente, eu funciono sob pressão.

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010



O quarto do dono

Interessante seria se isso viesse à tona no meio de tudo.

Sábado, Janeiro 09, 2010



Querido diário,

Iguaba, 5 de janeiro de 2010 - manhã

Iguaba tem uma personalidade e um carisma que pessoas não têm.

No dia 30, Gabriel estava lá em casa, mas ia pra casa do pai de noite, pra ficar até o dia seguinte. Eu teria uma ótima noite assistindo aos episódios que baixei deThe Good Wife. Gabriel tomava banho para sair, quando ouvimos um barulho de repente. Tudo apagou. Desci e minha mãe nos disse que tinha acabado de descobrir que era só na nossa casa que a luz tinha faltado. Só a casa e o corredor. Tinha luz na casa do meio e até na garagem. Gabriel foi pra casa do pai e meu tio foi lá pra casa com Gustavo e Maria Clara. Ligamos pra Light, que disse que viria em até cinco horas. Meu tio, minha mãe e Gustavo ficaram conversando na varanda da casa do meio e eu vendo a retrospectiva da Globo com a Maria Clara na sala. Só fomos dormir 1h da manhã e nada da Light. A cama da casa do meio é dura tipo uma calçada. Não dá pra ser feliz. Mas pelo menos tinha ventilador e eu tinha pego meu travesseiro lá em casa.

Acordei às 6:30h, minha mãe uma hora depois. Chovia bastante ainda, mas o eletricista apareceu às 9h mesmo assim. Encontrou meu avô pelo caminho e entrou com ele. Olhou prum fio e disse que aquilo era problema da Light. E foi embora. Nem chegou a falar comigo e com a minha mãe. Meu avô foi até a quadra da escola e liberou as coisas do freezer da cantina. Pusemos todas as gavetas do nosso congelador na mal do carro e levamos lá pra escola, onde achamos umas pizzas, que levamos pra casa. As coisas de geladeira, pusemos na casa do meio. E fizemos as pizzas no forninho de lá também. Gabriel já estava lá a essa altura. Enquanto isso, minha mãe pintava o cabelo e nós esperávamos outra vez a Light.

A Light chegou, mas chovia demais pra que o cara pudesse mexer em qualquer coisa. E ainda tinha a torta. Íamos pra casa do Gabriel às 13h e precisávamos pegar a torta que íamos levar pra lá. Eu e Gabriel fomos ao Carioca Shopping, onde compramos a torta errada, que ainda era 6 reais mais cara. De lá, voltamos pra minha casa e o cara da Light já tinha até ido embora. Disse que não era problema deles, que precisávamos de um eletricista. Nada mais podíamos fazer no dia 31, senão ir pra casa do Gabriel logo. O Ano Novo foi bonito, as comidas estavam gostosas e a torta errada foi aprovada.

Passamos o dia primeiro lá no Recreio mesmo e fomos lá pra casa só no início da noite. Vimos The Mentalist no laptop com projetor e comemos pizza na casa do meio. Minha mãe dormiu em casa, eu e Gabriel na cama-calçada da casa do meio. No dia 2, acordamos meio-dia. O aniversário da Luciane começava às 13h em Copacabana. Comemos e fomos. A tarde foi lá com pessoas da faculdade, depois fomos com Bianca e Renato pro Escada Shopping. Comemos no Koni e estava muito bom. Em casa, o eletricista tinha começado toda uma instalação nova, mas só terminou a parte de baixo da casa e ficou de voltar dia 8 pra fazer o resto. As coisas de geladeira voltaram, vimos The Mentalist no DVD da sala e dormimos nos mesmos lugares da noite anterior.

Dia 3, acordei, arrumei tudo e viemos pra Iguaba. Eu, Gabriel, minha mãe e Maria Clara. Não fizemos muito no primeiro dia. Vimos Lie to me, The Mentalist e How I met you mother, que eu me lembre. Nada muito produtivo.

Dia 4, quis muito sair, mas minha mãe saiu com a Maria sem levar a chave. Gabriel ficou receoso de largar o apartamento aberto com laptops, projetor, GPS e outras coisas caras e importantes dentro. Esperamos por duas horas e nada delas. Liguei pro celular. Nada. A chamada retornou na hora em que o Gabriel resolveu que queria dormir, não sair. De modo que passei o dia inteiro dentro do apartamento, angustiada.
Acordamos às 20h, tomamos banho e fomos pra rua. Só dar uma volta. Eu queria encontrar alguém, mas não queria falar disso, nem esperava muito disso. Sempre saio pelas ruas aqui procurando amigos de longa data e só encontro lembranças fora de lugar. Mas aí de repente estava o Fraga, andando na rua principal, direção oposta à nossa. Disse que era destino me encontrar no último dia. Último dia. Fraga disse que estava voltando pra BH, que faria isso às 4h da manhã. Iguaba não é a mesma coisa sem ele, mas ainda é a cidade das minhas lembranças, dos meus momentos felizes. Sentamos com ele e conversamos por um bom tempo. Outras pessoas do passado surgiram , mas não é a mesma coisa. E mesmo se fosse, o que importava é que o Fraga está deixado Iguaba e dessa vez é de verdade. Não pretende voltar. Arrumou emprego. Dessa vez tem até motivo plausível. Mas não foi triste. Nem a despedida, nem a conversa, nem ele. Eu não fiquei triste também. Fiquei foi feliz por ele. Mas não quero nem pensar ainda no que vai ser minha vida sem poder vir pra cá pra vê-lo. Se eu pensar, vou sentir as coisas erradas em relação a isso.

Falamos das outras pessoas também. Lembramos dos desaparecidos. Ele perguntou pelo Fantasma da Uruguaiana, mas dessa vez não esperou que eu soubesse a resposta. E, como eu não tinha desculpa pra dar pro fato de que eu tenho resposta, menti que também não sabia e dei a mesma resposta de sempre:

- Deve ter morrido.

Me perguntou então pelo Leandro, sobre quem eu costumava ter resposta sempre. Não tive, o que foi novidade pra ele. Do mais, um foi solto, outro continua desaparecido, outro reapareceu e Lincoln casou.

Iguaba, 5 de janeiro de 2010 – noite

Fui à rua com o Gabriel tomar sorvete. O meu foi aquela coisa de gordo de sempre: duas bolas de chocolate com calda de chocolate, calda quente de chocolate, chocolate granulado, pedacinhos de chocolate, pedacinhos de biscoito de chocolate e, dessa vez, marshmallow. Muito bom. Depois fomos ao centro comprar raquete pra matar mosquitos do mal. Compramos também um cordão pra Luciane, como presente atrasado de aniversário. Encontramos o Lincoln, que comentou que o Fraga “vai passar um tempo em Minas”. Não parecia acreditar muito na permanência da coisa. Talvez eu também não acredite e por isso não esteja triste a respeito. É algo a ser considerado.

Maria Clara cismou de ver um dos DVDs que trouxe: Barbie, Hannah Montana, entre outras outras coisas insuportáveis que meninas de nove anos acham o máximo. Gabriel gosta de criança, ta na sala com ela e com a minha mãe. Eu resolvi aproveitar esse tempo pra matar mosquitos do mal no quarto, jogar paciência spider e ler The Color Purple. Ah, isso. Tenho lido esse livro e tenho ficado intrigada a cada anotação ou sublinhado da Marina (o livro é dela). Como eu sei que não vou me dedicar muito ao longo do semestre a uma matéria dada por aquela professora que eu não suporto, resolvi de fato fazer o recomendado e ler os livros ANTES do início do semestre. Até estou gostando de The Color Purple, sabe? Eu meio que não esperava isso. Só tenho lido muito devagar. Estou lendo o troço desde o dia 31 e ainda estou lá pela página 35. Achei que fosse ser mais rápido.

Fiquei com vontade de voltar a ler (e dessa vez pra acabar) As Seis Mulheres de Henrique VIII, mas não consigo ler mais de um livro ao mesmo tempo, isso está comprovado. E ainda tenho que ler The Great Gatsby (que não me desperta o menor interesse) antes de o semestre da professora horrenda começar.

Por ora, volto pro paciência spider.

Rio, 7 de janeiro de 2009 – noite

Chego no Rio, o telefone toca. Minha tia morreu.

Maria Clara teve que continuar conosco e parece que vai ficar amanhã também. É a tia Denise quem está cuidando de tudo, quem arranjou o funeral. O enterro vai ser amanhã. Nunca fui a um enterro e não quero ir a esse. Gabriel acha que eu deveria ir, mas não vejo de que modo isso pode fazer diferença ou mostrar que me importo.
Meus avós ainda não sabem. Ninguém sabe como contar. Da última vez que alguém morreu, os dois quase morreram também ao ouvir a notícia (e minha mãe ainda deu um Lexotan pra minha avó antes de contar). Só acho que vai ser bem estranho deixar pra contar pra eles amanhã, poucas horas antes do enterro.

Pelo menos vou ter companhia amanhã. Gabriel vai ficar até a manhã de sábado. Depois, acho que só nos vemos no fim de janeiro. Com a cirurgia da mãe dele, meu trabalho, meus médicos e o show do Jonas Sá, vai ser bem difícil nos vermos logo.
Falando em Sá, não vai rolar o show da Roberta porque não tenho Marina pra ir comigo. Uma pena. Tava querendo mesmo ir a esse show. Ainda mais não tendo luz. Ah é, o eletricista agora só vem domingo. Seria ótimo passar o dia na casa da Marina, mas também acho feio me mandar pra Copacabana e deixar minha mãe aqui sozinha.
Marije, a professora de inglês, mandou e-mail. Fiquei com 8,78 de média. Espero que ela tenha arredondado pra 8,8. É uma nota legal pra matéria que é, mas isso só me lembra que esse número se transformará numa nota medíocre quando somado à nota idiota que o outro professor me deu. Bem, eu vou superar.

Verei The Mentalist com o Gabriel agora.

Rio, 9 de janeiro – manhã

Tive um sonho hoje que acabou comigo. Foi tão real. Eu não sabia se queria que durasse pra sempre ou se eu precisava acordar o mais rápido possível. De vez em quando, tenho esses sonhos. Não, não é com frequência. Mas sei que já aconteceu antes. Parecia verdade. Devastador. Acordei quase que num pulo. Eu já tinha acordado às 8h pra abrir o portão pro Gabriel ir embora. Dormi de novo e, sei lá, talvez eu não devesse ter dormido. Me confundiu.

Hoje vou pra casa da Marina, passar o dia lá. Minha mãe vai comigo, mas vai pra casa da prima dela, que ela encontrou no enterro da tia Nair. É tudo em Copacabana mesmo. Aliás, não fui ao enterro. Meu pai foi. Passei o dia ontem vendo The Mentalist (e agora acabou) e How I met your mother (que está só começando). Comemos pizza e dormimos mais cedo que o normal. Tomei banho lá em casa e não aqui na casa do meio. Surgiram umas minhocas mortas no boxe e, como eu não enxergo o chão quando tomo banho (sem óculos), achei melhor não ficar aqui. Sei lá, até onde eu sei, eu mesma posso ter matado as minhocas durante o banho. Credo.

Vou jogar Bookworm enquanto minha mãe não fica pronta. Amanhã vem o eletricista, espero que minha vida volte ao normal. Enquanto isso, verei The Good Wife no laptop.
___

Agora:

Dia com a Marina. Conheci a Aubrey, gringa hóspede dela. Tentamos comer no Subway, mas o forno não estava esquentando (wtf?), então acabamos indo pra Bibi. Ótimo sanduíche de filé mignon com provolone. Depois, encontrei minha mãe e a prima. Fomos até o apartamento incrível sensacional dela, conhecemos os poodles Honey e Petite e depois viemos embora. Tomei banho aqui com as minhocas da casa do meio e SOFRI pra matar uma barata sem o Gabriel.

Eu até ia ver The Good Wife ou How I met your mother hoje, mas acho que só terei forças de jogar um pouquinho de Bookworm.

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009



Natal...

Odeio, odeio, odeio Natal. E odeio como fiquei sentimental-manteiga-derretida do ano passado pra cá. Qualquer coisa, já começo a chorar. Que merda, viu. Rebobina a fita aí. Falo mais nada.

Se bem que, nessas situações, sempre fui assim. Quando eu era pequena, se minha mãe chegava em casa e eu tava com cara de choro, ela perguntava: "Brigou com alguém?". Isso sempre me fez muito mal. Principalmente quando fico achando que é minha culpa. Mas mesmo se não for. E me sinto uma boboca. Mas não consigo controlar.

Só não precisava ser no Natal, né.

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009



Branco

Tenho tido uma vontade imensa de escrever. Principalmente vendo Californication ontem e hoje; essa série sempre me deixa querendo escrever. Mas não tenho nada, nada, nada pra contar.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009



Horoscope

"Only you had no need to calculate
Degrees for your ascendant disruptor
In Aries. It meant nothing certain - no more
According to the Babylonian book
Than a scarred face. How much deeper
Under the skin could any magician peep?"

Estrofe de "Horoscope", de Ted Hughes.

Sábado, Novembro 07, 2009



Watching the colors change

"She's looking like a queen
But if you knew what's going on in her life
There'd be a thousand barren mothers there to talk to her
If you knew what's going on in her life
There's be two hundred troubled teenagers to sit with her
And talk to her
If you knew what's going on in her life,
Wwhat's going on in her life
There would a documentary on Radio 4"


Hoje os tempos foram errados. Saí de casa cedo demais, ficamos muito tempo à toa. Mas foi um bom dia. Eu e minha mãe, nós comemos crepe na Bibi de Copacabana, depois fomos ver a peça do Paulo José sobre a Ana Cristina César no Oi Futuro de Ipanema, que acaou de ser inaugurado. Peça linda.

Encontrei o professor de literatura inglesa I. Lá dentro, éramos cadeiras coladas, quais eram as chances?

Aí o metrô. A porta ameaçou que ia fechar, mas abriu novamente por completo. Entrei, mas a porta fechou muito rápido e me prendeu. Cabeça, perna e braços esquerdos pra fora, perna e braço direitos pra dentro. Puxei, puxei. O segurança já vinha correndo me salvar. Consegui puxar tudo pra fora, menos o dedo mindinho. O metrô andou e meu dedo mindinho se arrastou pra fora do vagão, deixando escorregar pra dentro dele o anel de prata que usava há nove anos.

Mais tarde, no Nova América, esperando táxi, fila grande. Um táxi que não era do shopping parou e ficou um tempo esperando aguém da fila se aventurar. Hesitei por muito tempo e entraram na nossa frente. Ficamos mais uns quinze minutos em pé esperando. Hesitei demais no táxi, de menos no metrô. Tempos errados.

O anel não me foi dado por ninguém especial. Não é como a pulseira azul. Eu não tenho motivos pra ser apegada desse jeito àquele anel. Mas uso ele e mais dois há nove anos e ele é o que eu não tiro nem pra lavar a cabeça. Eu tiro o roxo e o outro de prata antes de entrar no banheiro. O do dedo mindinho, só na hora de passar o condicionador. Porque escorrega e eu fico com medo de perdê-lo ralo abaixo. Não tenho motivo pra tanto apego. Mas fiquei realmente chateada. Como se fosse a gota d’água da semana de merda. Da semana que eu passei inteira dizendo que não aguento mais.

É uma tempestade em copo d’água, sem dúvida. Mas toda vez que perco algo, sinto que perco parte muito grande de mim. E já perdi muitas coisas. Parece um tema recorrente na minha vida. Eu perco as coisas. E essa parte nem é tempestade em copo d’água, é pura análise de fatos. Desde o assalto, há tantos anos (ou talvez antes, naquela outra grande coisa), me vejo com esse estigma. As coisas ficam acontecendo de novo. Eu não superei até hoje nenhuma dessas perdas.

Sinto que nunca vou superar as perdas que sofro. Seja do grande amor, do grande amigo, da borracha verde na segunda série, do anel de prata jogado no chão do vagão das mulheres do metrô. Todas as perdas dóem até hoje. E pesam muito.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009



Climbing up the walls

Durmo mais tarde do que devo, porque fico atualizando todas as abas do Firefox até encontrar alguma coisa, qualquer coisa.

Sentimentos tão ruins essa semana que nem dá vontade de escrever aqui. To muito de saco cheio de tudo. Só dá vontade de ficar deitada na cama no ar-condicionado. E nem é por causa do calor. E nem é por causa de preguiça de fim de período. É saco cheio de tudo. "Podia estar mal, mas está pior e a tendência é se agravar", sabe? To completamente sem forças de existir.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009



Melhor ouvir isso do que ser surdo

Sério, eu prefiro ficar 72 horas trancada num quarto escuro ouvindo a mesma música do Callypso (é assim?) repetidas vezes sem parar do que tolerar A EXISTÊNCIA da Banda Cine. Se um dia o avião deles cair, vão achar até que fui eu, de tanto que me incomoda esse troço aí que teve que incluir banda no próprio nome senão ninguém ia imaginar que é uma.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009



Beautiful disaster

Caramba, dia desses ouvi "Beautiful disaster" da Kelly Clarkson e SOFRI. Lembrei de 2003, 2004, das descobertas recentes... ah. Que bom que passou.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009



As far as I'm concerned

"Go ahead and still my heart
To make me cry again
Cause it will never hurt
as much as it did then
When we were both right
And no one had blame
But now I give up
On this endless game"

Terça-feira, Outubro 13, 2009



=/

Sabe quando a pessoa simplesmente NÃO MERECE nada de ruim que possa vir a acontecer na vida dela? Então. Não merece.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009



I really don't

Depois do episódio de Dexter de hoje, minha vontade foi deixar pra sempre no about do Orkut: "I honestly don't give a shit".



The beautiful people, the beautiful people

Eu nunca, nunca, nunca vou me acostumar a ver gente que eu conheço na televisão.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009



I stick a knife in my head

Thinkin' about your eyes.